segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

"Existe uma lenda acerca de um pássaro que só canta uma vez na vida, com mais suavidade que qualquer outra criatura sobre a Terra. A partir do momento em que deixa o ninho, começa a procurar um espinheiro, e só descansa quando o encontra. Depois, cantando entre os galhos selvagens, empala-se no acúleo mais agudo e mais comprido. E, morrendo, sublima a própria agonia e solta um canto mais belo que o da cotovia e do rouxinol. Um canto superlativo, cujo preço é a existência. Mas o mundo inteiro pára para ouvi-lo, e Deus sorri no céu. Pois o melhor só se adquire à custa de um grande sofrimento...Pelo menos é o que diz a lenda."

    in "Pássaros Feridos" de Colleen McCullough

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

"Contundem águas. E um pendor a espaço
se eleva do vazio do pendor.
Abre-se ali o hiato.
Que remata somente a prontidão
onde as almas instalam
o luto visual do seu estupor.

Depois, todo o à volta
naufraga. O seu sentido
por contundentes águas se alcandora
para ocultar na transparência o brilho."

          Fernando Echevarría

sábado, 8 de outubro de 2011

Isto não é no mundo ocidental !

Escândalo na Industria Têxtil e de Vestuário jordana

Fonte: Associated Press
Continuam a aumentar as denúncias por parte de mulheres abusadas sexualmente por um dos gerentes do maior produtor e exportador de vestuário jordano para os Estados Unidos. A polémica está a causar preocupação na Jordânia, uma vez que as exportações têxteis para os Estados Unidos são um importante motor da economia do país.
 
dummy
Escândalo na ITV jordana
O caso já originou uma campanha internacional lançada pela Change.org, que apela às marcas americanas e retalhistas aprovisionadas pela fábrica de vestuário Classic Fashion, incluindo a Hanes, Target, Macy's e Sears, para tomarem medidas de forma a proteger as trabalhadoras e monitorizarem as condições de trabalho da fábrica, ao mesmo tempo que estão a incitar os consumidores a não comprar roupa dessas marcas que tenha sido fabricada na Jordânia. Outras das reivindicações dos activistas é que o governo americano assuma a liderança da investigação, uma vez que a Jordânia está autorizada a exportar vestuário para os EUA com isenção de impostos ao abrigo do acordo de comércio livre entre os Estados Unidos e a Jordânia.
No espaço de dois anos, cinco mulheres denunciaram ter sido violadas por um gerente da fábrica Classic Fashion, para além de várias denúncias de abuso dos direitos humanos, violações laborais e abuso sexual. O Institute for Global and Human Rights revelou que a Hanes, Target, Macy's e Sears recusaram-se a tomar medidas até que o governo da Jordânia divulgue os resultados da investigação. Mas os activistas vêem a investigação do governo como um branqueamento de factos.
«A investigação do governo da Jordânia sobre o caso da fábrica Classic Fashion está a ser severamente prejudicada por falta de competência, recursos e investigadores especializados e também por uma campanha deliberada da administração da empresa para manter as suas trabalhadoras num estado de terror e repressão», afirmou Charles Kernaghan, director do grupo activista. «Os investigadores não conseguiram obter a documentação básica relacionada com as acusações de violação, recusaram-se a permitir que as vítimas fossem entrevistadas por advogadas e têm mantido os grupos independentes de direitos humanos fora da investigação. Esta não é uma investigação séria, mas um branqueamento de factos», denunciou Kernaghan.
Cerca de 150 mil pessoas já se juntaram à campanha popular no site Change.org apelando à Hanes e outros retalhistas de moda para levarem a sério as alegadas violações nesta fábrica da Jordânia. 

olhares II


sábado, 24 de setembro de 2011

luz

                                                                                                                         
                                                                                                                         
                                                                                                                         
                                                                                                                        
                                                                                                                        
                                                                                                                        
                                                                                                                        
                                                                                                                        
                                                                                                luz                     
                                                                                                                        

domingo, 18 de setembro de 2011

Quem me leva os meus fantasmas ?

Um sonho

Pode ser que seja apenas um sonho,
Mas eu quero que esse sonho não cesse,
Ainda que sabido, quero continuar a sonhar
Morador do oculto, a viver na outra realidade
Para aí poder realizar um dom, a feliz liberdade
A marca dos homens, que elege alguns por divinos.

                            Miguel Almeida

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Blade Runner

No passado dia 2 de Agosto, escrevi que gostava de ver Oscar Pistorius nos mundiais. Compreendo que, o período de férias estivais, terá esquecido os meus muitos leitores de me perguntarem o que sucedeu. ;-)
Ganhou nos tribunais e...nas pistas. Pode não ter chegado à final mas ajudou a selecção sul-africana nas qualificações.


A aventura de Pistorius "Blade Runner" nos 400 metros chega ao fim

29 de Agosto de 2011, 17:04

A histórica presença do sul-africano Oscar Pistorius no Campeonato do Mundo de Atletismo, que decorre em Seoul, chegou ao fim com a sua não qualificação paraa final dos 400 metros.
Pistorius, o primeiro atleta amputado a participar nesta competição, terminou a prova em último lugar, nas meias-finais, com o tempo de 45.39 segundos.
"o meu principal objectivo aqui era o de chegar ás meias-finais, o que foi conseguido", disse o atleta à BBC.
"Chegar à final não era uma tarefa impossível, mas seria preciso um milagre."
LaShawn Merritt, o norte-americano campeão mundial e olímpico, chega ao final desta qualificação dos 400 metros como o mais rápido e o mais sério candidato à medalha de ouro.
Natural da África do Sul, Oscar Pistorius nasceu sem as duas pernas e usa próteses finas feitas de fibra de carbono para competir, tendo já sido medalhado várias vezes em campeonatos para-olímpicos.
SAPO

Correção:
O atleta foi amputado aos 11 meses. A início da notícia da SAPO refere e, bem, atleta amputado mas, no final da mesma, lê-se que nasceu sem pernas.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

velocidades

Slow - pedras "gigantes" e, contudo, imóveis perante a multidão. e se as pedras ganhassem pernas ?



Fast - apesar do aviso, o desrespeito na estrada é grande e, segue-se a fundo...mais rápido do que as pedras.

sábado, 10 de setembro de 2011

limpezas

  Há já algum tempo que me tem chamado a atenção o tipo de pessoas que encontro nas limpezas de wc's públicos. Durante vários anos, por esses wc's fora (centros comerciais, parques de campismo, etc.) era frequente encontrarem-se mulheres de comunidades emigrantes a efectuarem este serviço. Não imagino que seja uma profissão bem remunerada e, compreensivelmente, poucos(as) serão os que a querem fazer. A necessidade financeira falará certamente mais alto, na ausência de alternativas. No entanto, seja porque a emigração diminuiu (quem quer vir trabalhar para Portugal?) seja porque o aumento do desemprego é galopante, a tipologia destas pessoas mudou. É muitíssimo frequente verem-se mulheres na casa dos 50, 60 anos de idade!
  Pode dar-se o caso de, sendo mulheres que se imagina de classes sociais desfavorecidas, com vidas pessoais mais "difíceis", estejam um pouco desgastadas, aparentando uma idade superior à real. Mas que têm idade para "não estar ali", isso é um facto. O que choca é imaginar a degradação profissional a que estas mulheres se têm que sujeitar. Todas as profissões são dignas. Mas ninguém, mesmo aos 50 anos, presumivelmente sem grandes expectativas,  há-de sentir orgulho profissional, ao ter que limpar wc's públicos. Lançadas para o desemprego e esgotando-se o tempo com direito ao subsídio, há que agarrar o que aparece. Em muitos dos casos, trabalharão a recibos verdes e/ou de forma precária, com entidades profissionais que, sabendo da sua condição, não hesitarão em utilizar todos os mecanismos legalmente disponíveis para o limbo da precariedade.
  A partir dos 35 anos de idade a dificuldade em arranjar emprego aumenta muitíssimo. Aos 45 é-se já um velho. Temos o azar de engrossar as filas de desemprego e, cumulativamente, não temos formação superior, é certo que vamos necessáriamente arrastar-nos de emprego em emprego com remenurações muito abaixo do que era habitual. Não só os níveis salariais hoje em dia são mais baixos como, somos já velhos e, portanto, devemos até estar gratos pela proposta que nos está a ser feita. É pegar ou largar! Se pegamos, já conhecemos as condições; se largamos, perdemos o subsídio de desemprego.
  E quais são as propostas existentes no mercado de trabalho para mulheres a partir dos 50 anos de idade ?
  É triste observar as expressões destas mulheres que são "obrigadas" a terminar a sua vida profissional desta forma.

sábado, 3 de setembro de 2011

Obesidade

   Não tenho nenhuma vivência próxima com pessoas obesos(as). A verdadeira obesidade, não um "pequeno" excesso de peso. É um tema preocupante. O aumento de obesos tem sido enorme. Portugal é o país da comunidade europeia com mais crianças obesas. Li recentemente; não sei qual a fonte e, na verdade, não é importante dado que, efectivamente, se vê fácilmente esta tendência. Nos EUA, duas em cada três pessoas tem excesso de peso!
   Pela falta de vivência próxima acima referida, desconheço se existe uma dependência física por doces. Tipo droga. Se o corpo lhes "pede" açúcar. Ou se, pelo contrário, tudo não passa (também) de um gravíssimo problema psíquico. Isto porque não se engorda 20, 30, 50 ou 60Kg de um dia para o outro. Ao mínimo sinal, algo pode e deve ser feito. Poder-se-à argumentar que nem sempre é possível. Mas muitos devem ser os casos em que a possibilidade de contenção da obesidade é real.
   Vem o acima escrito a propósito de dois episódios quase consecutivos a que assisti ao tomar o pequeno-almoço num café, agora no período de férias.
   Um homem aparentando os seus 50's com, no máximo, 1,70m de altura e, pesando seguramente mais de 130, 140Kg, aproxima-se do balcão. Toda a gordura concentrada entre o peito e os joelhos. Braços e pernas visíveis (1/2 manga e calção) eram "normais". Disforme portanto.
   Para meu espanto, o homem pede para pequeno-almoço (ou já o teria tomado?) um café e...uma bola de berlim (que ainda por cima tinha um tamanho acima do normal)!
   Cerca de 5 minutos mais tarde, aparece uma mulher na casa dos 30's com pouco menos peso, aparentemente, do que o homem acima mencionado. A gordura era mais formosa. Melhor distribuída, tornava o corpo proporcionalmente obeso.
   Pequeno-almoço: um café e um palmier recheado!
   É difícil imaginar a extrema dificuldade que será ultrapassar um problema tão grave quanto o da obesidade. É visível a toda a gente o que o tornará, por certo, ainda mais difícil. Provávelmente, muitos casos haverá em que a auto-estima se encontrará tão baixa que há uma "desistência" por parte do doente. Só assim percebo as bolas de berlim, os chocolates, as doses gigantescas, o alcool, etc. que tanto me impressionaram.
  

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Alegria


"Quando olhámos os dois para esta fotografia, não gostei dela. A cabeça do Xavier sobrepõe-se a um barco de pesca formando uma espécie de estranho chapéu. E a luz do dia corta sombras abruptas demais. Mas Xavier olhou para mim e disse: « Tu sabe coisa demais, menina. Tem que aprender a des-saber, para não ofender a vida. Essa fotografia tem a cara de um homem feliz. Não é coisa fácil de meter numa fotografia.»"
                    in "nas tuas mãos" de Inês Pedrosa                      




quarta-feira, 17 de agosto de 2011

If there is righteousness in the heart
There will be beauty in the character

If there is beauty in the character
There will be harmony in the home

If there is harmony in the home
There will be order in the nation

If there is order in the nation
There will be piece in the world

         Sri Sathaya Sai Baba

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Antes do anoitecer

macacadas

Em 1968, ano que a mim me diz "algo", estreou o filme "O planeta dos macacos", baseado no livro do francês Pierre Boulle, com a ator Charlton Heston no papel principal. Não me recordo com exactidão em que época vi esse filme, bem como as sagas de 1970, 1971, 1972 e 1973. O mais provável é ter sido em finais da década de 70, princípio da década de 80. Sei que sempre gostei. Ficção científica sem naves; a ideia de que o homem não é "a" raça superior. Via sempre os filmes.
Não vi o remake de Tim Burton em 2001. Resolvi ver o filme recentemente estreado - "O planeta dos macacos - a Origem".
Desastroso ? Perda de tempo ? Como é possível fazer-se um filme assim ?
Gostos não se discutem e eu não percebo nada de cinema mas...não tem ponta por onde se lhe pegue!

Para quem quiser ver o trailer:

sábado, 13 de agosto de 2011

privacidade

Recentemente, os jornais (entre outros media) começaram a publicar as declarações de rendimentos dos políticos. Sendo pública, é "normal" o interesse que tais declarações suscitam. Esta semana li, acerca de Paula Teixeira da Cruz, actual ministra da Justiça. Há muitos anos que os políticos me desiludem, não existindo neste momento, para mim, nenhuma referência. Crescemos a ouvir as constantes suspeitas de corrupção, conluios, falta de honestidade por parte da classe o que, não será até justo para todos. Acontece que, se porventura alguém "aparece", tem forçosamente que conviver com a classe que o rodeia, com as ditas "bases", com os favores prometidos/devidos e, inevitávelmente, lá se vai o "bom tempo".
Sempre entendi ser fundamental a credibilização da classe política. No entanto, esta credibilização faz-se, na minha opinião, com actos dos mesmos. Com a ausência de suspeições que sob eles caiam. Leva tempo, sim. Mas é no dia-a-dia das suas acções que a credibilização vai surgir. Que a população vai perceber quem é quem. Teve um passado criminoso ? Claro, deve ser (ou devia ter sido) punido pela justiça. A falta de justiça é um factor determinante de contribuição para a descredibilização. Mas se a mesma funcionar, fôr celere e JUSTA, políticos ou não, todos são julgados pelos seus actos.

Esta questão das declarações, da sua publicidade, não contribui grandemente para a credibilização dos políticos. Se fulano ou sicrano declara 100.000 euros de prestação de serviços, onde é que isso nos leva ? Foram mesmo prestados ?
O que acontece é que a publicidade das declarações de rendimentos só leva a "curiosidades". Pouco me importa a mim, como cidadão, saber que Paula Teixeira da Cruz tem x euros em seguros, y euros acções, contas à ordem nos bancos A, B e C, nos montantes de, blah, blah, blah. Considero até uma devassa da vida particular de cada um. Cada qual aplica as suas poupanças da forma que entende. Não é o que faz com elas que é importante mas sim se essas poupanças são ou não lícitas. E isso, a declaração de rendimentos não diz!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Blade Runner

Oscar Pistorius persegue um sonho. Participar nos jogos olímpicos para atletas não portadores de deficiência. Campeão paraolímpico dos 100, 200 e 400 metros, luta há anos para que o comité olímpico/federação de atletismo, lhe permitam correr com atletas não paraolímpicos. O pomo da discórdia são as próteses que usa em substituição das pernas que perdeu  aos 11 meses de idade. Blade Runner. Alegadamente, poderão beneficiar os tempos obtidos em 15 a 30%.
No passado dia relançou a discussão ao atingir a marca de 45,07s, suficiente para os mínimos. Não sei se lhe será ou não permitido participar nos jogos olímpicos. Eu gostaria de o ver lá.
Determinação e esforço em estado puro.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.

                 Fernando Pessoa

sexta-feira, 22 de julho de 2011

o lixo de sempre

EDITORIAL

É preciso coragem para limpar este lixo

por António Ribeiro Ferreira, Publicado em 22 de Julho de 2011 - jornal i

O governo decidiu aumentar 15 por cento os preços dos bilhetes e dos passes sociais dos transportes públicos. É evidente que a medida atinge directamente os contribuintes, já penalizados com mais impostos, mais inflação e salários no mínimo congelados. Em Portugal, até agora, tem sido sempre assim. Há buracos no Orçamento, sobem-se os impostos. Fazem-se investimentos em empresas monopolistas do Estado, paga o desgraçado do consumidor. Há erros miseráveis na gestão de empresas públicas, aumentam-se as tarifas dos serviços prestados por incompetentes. Por mais estranho que pareça, os senhores que andam há anos a jogar às cadeiras no sector empresarial do Estado nunca são responsabilizados por nada. Nem eles nem os políticos que os nomeiam alegremente para esses apetecíveis lugares e que, muitas vezes, pasme-se, ainda recebem prémios de gestão. O ministério de Álvaro Santos Pereira teve o cuidado de informar os contribuintes de que o sector dos transportes públicos tem uma dívida de 16,8 mil milhões de euros, isto é, cerca de 10 por cento do PIB. Mais ainda: esta extraordinária dívida, até 2010, triplicou em dez anos. Como se vê, a primeira década do século xxi, em que o PS governou sete anos e meio e o PSD, com o CDS, dois anos e meio, foi uma desgraça a todos os níveis. Os défices andaram sempre acima dos 3%, a dívida pública disparou, o desemprego aumentou e a economia estagnou. Nada mau para dez anos. Mas este fabuloso sector de transportes do Estado não deixa de surpreender em matéria de desgraças. Os juros das dívidas pagos em 2010 atingiram a bonita soma de 590 milhões de euros e o prejuízo no ano passado chegou aos 940 milhões de euros. Muito bem, senhor ministro. Dito isto, vá de aumentar os preços para os contribuintes suportarem este extraordinário regabofe. Mas há uma pequenina questão a pôr a Álvaro Santos Pereira. Este aumento de receitas vai servir para quê? Para se manter tudo como está neste pântano? Com os mesmos trabalhadores, com as mesmas regalias, com os mesmos acordos de empresa, com as mesmas megalomanias que fizeram tudo isto chegar a este miserável pântano? Sabe-se que o acordo com a troika impõe que este aumento entre em vigor já no início de Agosto. Espera- -se é que a muito curto prazo o ministro da Economia informe os portugueses dos cortes que vai fazer na CP, na Refer, no Metro de Lisboa, no Metro do Porto, na Carris, na Transtejo, na Soflusa, nos STCP e companhia limitada. O governo já cortou o subsídio de Natal na sua estreia e promete lá para o Outono apresentar um plano de cortes no Estado. Agora é o aumento brutal nos transportes sem um anúncio de redução brutal de despesas. Espera-se que os restantes nove ministros não se lembrem de fazer o mesmo. Já chega de aumentos e de austeridade. Ainda por cima, os trabalhadores dessas empresas, alguns familiares e uma imensa multidão de serventuários do Estado não pagam um cêntimo nos transportes públicos. O mexilhão que paga e bem por um mau serviço só espera que alguém com coragem varra este lixo. 

colossal

Ministério das Finanças

Nas palavras desta crise, o desvio continua a ser colossal

por Bruno Faria Lopes, Publicado em 22 de Julho de 2011 - Jornal i
"Ajuda", "PIGS", "lixo", "colossal". São várias as palavras que agravam o problema político europeu e português. A disciplina verbal é tão importante como a orçamental.
 
Esta semana o presidente do Banco Central Europeu deu o melhor conselho da cada vez mais autocolante crise do euro: é preciso mais disciplina verbal. Jean-Claude Trichet - que, como todos os banqueiros centrais, eleva a disciplina verbal a uma forma hieroglífica oral - criticava o facto de os líderes europeus falarem ao mesmo tempo sobre a mesma crise, mas com pontos de vista diferentes, provando que o problema é político. Mas podíamos pegar no conselho de Trichet e levá-lo mais longe: "disciplina verbal" poderia significar rigor e contenção no uso das palavras escolhidas para o palco desta crise. Tanto no resto da Europa como em Portugal, os líderes políticos e os media bem precisam de mudar a linguagem: disso pode depender, numa parte não negligenciável, a sobrevivência do euro e dos seus governos.

O melhor exemplo de indisciplina verbal é a escolha da palavra "ajuda" para designar os empréstimos aos países europeus em apuros, como Portugal. "Ajuda" ("bailout") é um termo enganador, porque mascara o que na verdade é um empréstimo, remunerado a uma taxa de juro punitiva, destinada não apenas a ajudar, mas a dar uma lição de moral aos países que recorrerem ao dinheiro. No caso português, por exemplo, a eliminação desta componente punitiva - a margem acima do custo de financiamento europeu - pouparia cerca de 500 milhões de euros por ano em juros. Isto é mais ou menos aquilo que o governo terá de cortar em 2012 na área da saúde.

O maior problema da palavra "ajuda" está no facto de servir na perfeição uma agenda populista contra estes empréstimos, uma agenda forte nos países do Norte da Europa, sobretudo na Alemanha. O contribuinte alemão não quer "ajudar" do seu bolso os gastadores e preguiçosos do Sul da Europa - e quem pode censurá-lo, se a ajuda vai para os PIGS?

Este acrónimo, outro exemplo de indisciplina verbal, foi colado há anos às economias problemáticas do Sul da Europa, pegando nas suas iniciais (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha). PIGS dá bons títulos para a imprensa - como "Why Pigs Can''t Fly", da revista "Newsweek" - mas reforça o mau serviço prestado pela palavra "ajuda". De caminho, consegue ainda antagonizar as populações dos países visados. [Este jornalista penitencia-se por já ter recorrido à muleta.]

Podemos ainda falar da palavra "lixo" quando aplicada à notação financeira de um país e não ao próprio país. Políticos e comunicação social fizeram eco até à exaustão do termo usado na linguagem dura dos mercados, de tal forma que até José Mourinho, emigrante ferido no orgulho patriótico, veio proclamar que "Portugal não é lixo". Pois não. Mas a sua dívida é e seria bom que a palavra fosse usada estritamente nesse sentido.

Depois há as inovações. Em Portugal, o governo anterior tinha um problema claro com as palavras - não com alguma em particular, mas com todas em geral. Era um problema de correspondência com a realidade. Mas o actual executivo está a começar mal. "Colossal", a palavra do momento, é um termo pouco rigoroso para falar de um desvio orçamental. Já que o primeiro- -ministro quebrou a promessa eleitoral de não subida de impostos, seria desejável que a explicação do desvio que inspirou essa primeira quebra de confiança fosse além da palavra "colossal" - sobretudo quando essa palavra contraria o que diz o ministro das Finanças e o Banco de Portugal e pode inspirar preocupação escusada "lá fora".

A crise do euro é política e económica, mas sobretudo política. Parte do problema nasce precisamente da linguagem da classe política - ampliada pelos media -, que mina a confiança entre os europeus e os eleitores e respectivos governantes. Trichet tem razão. Nesta altura de crise de confiança, o sentido das palavras conta muito. A disciplina verbal é tão importante como a orçamental - e aqui, infelizmente, o desvio continua a ser colossal.

Jornalista, escreve à sexta-feira

segunda-feira, 18 de julho de 2011

e por vezes

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos   E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites   não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

   David Mourão-Ferreira

domingo, 17 de julho de 2011

O Castor

A depressão pode surgir do "NADA".
De que serve o sucesso profissional, uma família, bens materiais se a nossa vida se torna vulgar ? Se, à nossa volta, nada nos move ?
E, contudo, tudo o que nos rodeia é importante! Mas, de uma forma inexplicável, o importante é "NADA". Falta-nos algo mais. Algo que seja capaz de nos transformar, nos acordar, nos tirar do torpor da vulgaridade, da rotina.
Há uma semana atrás vi o filme "O Castor". Walter Black tem tudo...e não tem "NADA". O final do filme é, na minha opinião, bastante diferente do que aquilo que o trailer pode sugerir. Mas é a minha opinião. De qualquer forma e, apesar das críticas cinematográficas, considero-o um filme excelente.

Passado

"Quando se ama a vida, ama-se o passado, porque é o presente tal como sobreviveu na memória humana. O que não significa que o passado seja uma idade de oiro: tal como o presente, é ao mesmo tempo atroz, soberbo ou brutal, ou apenas vulgar."
   Marguerite Yourcenar

e pode amar-se a vulgaridade ?

domingo, 12 de junho de 2011

Lixo

Agora que estamos a iniciar o estio e, como habitualmente, as praias se enchem de gente, convém relembrar a importância da sua manutenção e limpeza. De facto, há uma evolução enorme na limpeza das praias nos últimos anos. O civismo vai melhorando, felizmente. No entanto, esta consciencialização serve o planeta no seu todo e não apenas alguns países.
H.A.Schult tem, desde 2008, o projecto "Save the Beach". Com o lixo recolhido em apenas uma praia por ano, faz um hotel que instala numa cidade. Roma em 2009, com lixo recolhido na praia de Capocotta; Madrid em 2010, com lixo recolhido na Bahía de Portmán em Murcia.
Para este ano, ainda não foi escolhida a praia mas podemos fazer sugestões e votar nas praias candidatas.

http://www.coronasavethebeach.org/en/el-hotel/
http://www.haschult.de/trash.html

Títulos

Conheço Susanna Tamaro dos contos infantis.
Um livro com uma capa horrorosa e um título de "Vai aonde te leva o coração" não seria concerteza uma escolha de leitura minha. Felizmente, uma recomendação de leitura, fez com que o lesse.
Uma mulher de 80 anos, escreve quase diáriamente, entre 16 de Novembro e 22 de Dezembro de 1992, a uma neta ausente há dois meses que com ela tinha crescido. No entanto, mais do que escrever à neta, escreve para si própria. Revela segredos de uma vida inteira. Daqueles que, presentindo-se o final da vida, têm que ser revelados. Como se de uma confissão se tratasse, por forma a permitir uma morte mais leve, sem remorso. Nesta "hora", não há já forças para zangas. Velhos e novos dispondo-se a aceitar tais revelações pela urgência da morte.  
"...os mortos pesam menos pela ausência do que por aquilo que - entre eles e nós - não foi dito."

Aos 80 anos, se a senilidade não tomou conta de nós, imagino eu que o peso de um ou mais segredos carregados desde sempre, se torne insustentável e, à mínima oportunidade, o atiremos corpo fora como se fosse um espirro. E, tal como contado neste livro, sejamos surpreendidos por saber que, afinal, o segredo que era segredo, não era só nosso. Quem nos acompanhou, connosco viveu, verdadeiramente nos conheceu, sempre o soube. Tal como nós próprios, carregou o peso do segredo sem nada revelar.
"«As mãos da Ilaria», disse com o olhar baço, «mãos daquelas ninguém mais tem na família», depois, voltou para a cama e morreu. ... Durante dezassete anos, sem nunca ter deixado transparecer fosse o que fosse, guardara aquele segredo dentro dele."

Conseguimos perceber quão errático foi o nosso caminho, construído de erros para atingir um fim, em si mesmo desconhecido.
"Aos quarenta anos, compreendi de onde devia partir. Compreender onde devia chegar foi um processo demorado, cheio de obstáculos, mas apaixonante."

Descobrimos que, o acaso, o destino, um segundo adiantado ou atrasado, fez a diferença. 
"Sabes qual é um erro que cometemos sempre ? Acreditar que a vida é imutável, que, mal escolhemos um carril, temos de o seguir até ao fim. Contudo, o destino tem muito mais imaginação do que nós.Precisamente quando se pensa que se está num beco sem saída, quando se atinge o cúmulo do desespero,  com a velocidade de uma rajada de vento tudo muda, tudo se transtorna, e de um momento para o outro damos por nós a viver uma nova vida."

Susanna Tamaro nasceu em 1957 e, portanto, está longe desta "sabedoria". O facto de ter sido, também ela, criada pela avó, ter-lhe-á dado o mote para o livro e os ensinamentos descritos.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Gente fina é outra coisa!

Que frase é esta ? E se a casa não fôr "boa" quem convida já não tem um bom programa e quem é convidado já não aceita o convite ? Baboseiras para gente "fina" !

domingo, 5 de junho de 2011

pina


O filme "pina" é um filme para Pina Bausch. É, sem dúvida, uma dedicatória imensa e sentida, quer por parte do realizador Wim Wenders, quer pelos protagonistas do filme/documentário. No trailer pergunta-se se isto é dança, é teatro ou apenas...vida. De facto, ao mesmo tempo que se utiliza o documentário, se filma a dança, se faz teatro e, sendo uma dança/filme/teatro arrebatador no aspecto visual, quando é dança, preferia que o fosse, quando é teatro, idem. O que senti, foi uma aparente falta de ligação entre os meios. E, claro, a falta de compreensão da dança enquanto expressão artística, não me permite ter a "leitura" correcta. É verdade que, pelos depoimentos das(os) bailarinas(os), nem eles próprios "compreendiam". Mas sabemos que a interpretação livre que um leigo faz das coreografias, não ajudam, nem fazem justiça a Pina Bausch.
Tem música; tem imagens muito sensuais, imagens de força, de fragilidade. Como Pina Bausch disse a uma das bailarinas, "Faz da tua fragilidade a tua força!"

E se, como há pouco tempo ouvi alguém dizer, o mal dos portugueses é dançar pouco...
Um filme que não se esqueçe.

Ver para crer

Mario Draghi, italiano de 63 anos, será o sucessor de Jean-Claude Trichet à frente do Banco Central Europeu, a partir de 31 de Outubro.
Para tal, sairá do Banco de Itália, onde ganhou em 2010, 757 mil euros.
No BCE vai receber 368 mil euros/ano. Como é ? Prescinde de 389 mil euros anuais?!
Das duas uma: ou a Itália está na falência e Draghi sabe; ou aos 389 mil euros declarados, juntar-se-ão as noites loucas de hotel, as festas, os jactos, as jantaradas, as meninas, meninos ou ambos, etc., etc., etc..

Ou eu sou doido e o homem é o tal ! O da conduta exemplar. O da causa pública.
Fixemos este nome, coloquemos um lembrete na agenda para voltar a falar a 31 de Outubro de 2012, quando fizer um ano de presidência. Se me lembrar eu ou alguém (se o houver) que leia este post.

(in)justiça II

Nunca acompanhei o caso do cronista Carlos Castro assassinado em Nova Iorque. Mas ontem, ouvi no noticiário que, o advogado do rapazito, quer alegar deficiência mental, no momento do acto !!!!!
Foi o chip que avariou! Que chato, logo naquele momento, o chip tinha que avariar !
Desconheço por completo o sistema judiciário portugûes e, muito menos o norte-americano mas, como é permitido alegar uma deficiência mental num determinado momento ? Todos os actos passariam a cair nesta desculpa de mau pagador.
"Levaste nas trombas? - Oh pá deixa lá. O gajo que te deu estava deficiente naquele momento".
"Mandaste o teu chefe à merda? - diz-lhe que a deficiência foi muitíssimo momentânea".
"Foste apanhado com outra gaja? - diz à tua mulher que estavas avariado".

Mas o advogado foi ainda mais longe. O rapazito, não tinha consciência das consequências do acto que cometeu!
Já estou a imaginar o Seabra a falar para o juíz: "Sr. Dr. Juíz, eu via lá em casa a usarem o saca-rolhas e nunca ouvi a rolha a queixar-se. Nem fazia ideia que saía sangue daquelas bolinhas por baixo do pilau. Como foi com o saca-rolhas, até pensei que era vinho. Eu é que não gosto se não, tinha bebido. E foi uma sorte não lhe ter arrancado um olho porque estive a ver uns desenhos animados muito giros em que um urso ficou sem um olho e, depois, colou-o e ficou a ver outra vez."

Que se tente alegar que estava sobre o efeito de estupefacientes, que estava alcoolizado ou ambos, posso perceber, na tentativa de diminuir a pena. É esse o trabalho do advogado. Agora, deficiência no momento do acto !


(in)justiça I

Um homem, de forma violentíssima, socou, pontapeou, esbofeteou a mulher.
Foi, óbviamente, acusado de violência doméstica e julgado como tal. Mil euros de multa a favor da APAV foi o veredicto !!!!!
Eu posso compreender que os estabelecimentos prisionais estejam sobrelotados e que a APAV precise de apoios financeiros mas, convenhamos, um homem que tem este comportamento, não pode NUNCA, ser condenado apenas a uns "míseros" mil euros de multa. Não é a prisão efectiva, nem a multa que retiram a dor da vítima. Desconheço se a mesma permaneçe ou não em comunhão de lar com o energúmeno em causa.
Nunca estive preso, nem conheço ninguém que tenha passado por essa experiência. Mas é concerteza muito marcante e persuasiva para a repetição de condutas impróprias. Não sou apologista da justiça pelas próprias mãos. Nem do "olho por olho, dente por dente". Mas, na minha opinião, uma temporada na prisão, com uns bons sopapos para levar para casa, eram uma terapia muito mais adequada. Manter-se-iam os mil euros para a APAV que, infelizmente, cada vez mais precisa de apoios financeiros. 

Decoro

O presidente da comissão europeia, Durão Barroso, gastou, dos nossos bolsos, 28000 euros em quatro noites no hotel New York Peninsula!
Confesso não perceber o que tem um quarto, para custar 7000/noite a dormida. Uma cama, provávelmente; um wc que deve ter sanita, lavatório e banheira. Ah! e bidé! Sim, agora está a deixar de usar-se mas este hotel deve ter!

Como é possível que estes exageros permaneçam, cometidos por pessoas que deviam ser exemplares, ter condutas exemplares ? Que alguns afortunados se permitam estas e outras extravagâncias com as suas próprias fortunas, é um assunto da esfera privada de cada um. Agora com dinheiros publicos, parte deles obtidos de pessoas que pouco mais que o salário mínimo ganham, é um ultraje! E como é possível que todos os deputados eleitos, dos vários quadrantes políticos, dos vários países membros, permitam que tal suceda ?
Só é possível porque todos usufruem, em maior ou menor valor, da possibilidade de gastar o dinheiro dos outros. Oito milhões de euros foram gastos em jactos, hotéis e festas! Por isso a classe política me enoja. É um termo forte, sim! Mas, na verdade, não vejo exemplos de civismo, decoro ou bom senso na generalidade dos membros desta classe. Não há condutas exemplares! Não há almoços grátis!
Em dia de eleições, é pena não ver uma saída para este marasmo em que a europa se encontra.

Simplex

No dia 3/6, ou seja, na passada sexta-feira, recebi um sms comunicando que havia uma nova mensagem no portal  ViaCTT.
Fui ver e trata-se de uma mensagem da Direcção Geral de Contribuição e Impostos. É o documento comprovativo do reembolso do IRS.
Impecável, pensar-se-à! sms, email, tudo electrónico. Simplex à maneira !
Pois! A questão está no timing. É que já há mais de um mês que o reembolso foi efectuado e o mesmo documento recepcionado por via postal terrestre!

Curioso de facto. Mas mais curioso ainda, é não haver ninguém que saiba ver que há um erro gramatical grosseiro. Pelo menos, não é o mesmo que Ao menos!
Ou será que estou a interpretar mal ?
Afinal, olha que sorte! Ainda bem que, ao menos, há uma assinatura com problemas! É um alívio saber!
Quer dizer o quê ? Talvez que, em caso de agravamento da crise, nos possam pedir um reembolso ao estado, alegando que sabíamos que havia problemas com as assinaturas ?




quinta-feira, 2 de junho de 2011

(boa) Publicidade ?!

Não sei o que se passa com as campanhas publicitárias das instituições bancárias mas, no momento, são várias aquelas que entendo perfeitamente ridículas. É a minha opinião, óbviamente!

Numa delas (a mais antiga), canta-se "I need a zero" ! Quem é que quer ser zero, ter um zero, seja ele à esquerda ou à direita ? É verdade que a pretensão é a referência ás taxas mas, convenhamos, cantar de forma veemente que se quer um zero...Parece estar a pedir para ter um zero a seu lado. É até uma ofensa à música original em que a cantora pede um herói. De herói a zero, vai uma diferença absimal!

Noutra campanha, diz-se algo como " quem é que me vai querer com uma conta sem dinheiro ?" Mas que apelo ao materialismo é este ? Que valores ? Então os pobres não têm direito à vida ? É preciso ser-se rico para se encontrar alguém que nos queira ? Contrasta no entanto com a campanha acima mencionada. Se um quer um zero, este quer milionários.

Numa outra ainda, uma criança faz perguntas ao pai que, não sabendo as respostas lhe responde "pergunta ao Panda!". Depois de várias tiradas destas, a criança, retorquindo, diz "mas os Pandas não falam!". Então pergunta ao Montepio, responde o pai ! E o Montepio fala ? Conta poupança BUÉ !!!

O primeiro exemplo, apela á nulidade, o segundo à extrema falta de sensibilidade e o último á imbecilidade!
É a minha opinião, repito ! Não percebo nada de marketing mas sou um consumidor como outro qualquer e, sinceramente, não vejo onde estas campanhas possam angariar clientes. Por acaso até sou cliente de uma destas instituições e a vontade que dá, é a de deixar do o ser.

Será que a empresa de marketing é a mesma para as três instituições ?

terça-feira, 31 de maio de 2011

Shutter Island

    "Naquela noite, no passeio em frente do Cocoanut Grove, inclinado para a janela do táxi, a cara a centímetros de distância da de Dolores...
    Olhara para ela e pensara:
    Conheço-te. Conheci-te toda a minha vida. Tenho estado à tua espera. À espera que aparecesses.   À espera todos estes anos.
    Conheci-te no útero.
    Era apenas isso.
    Não sentiu aquele desespero de soldado de fazer amor com ela antes de embarcar porque soube, naquele instante, que havia de voltar da guerra. Havia de voltar porque os deuses não alinhavam as estrelas de modo que alguém encontrasse a outra metade da sua alma para depois lha tirarem.
    Inclinou-se para a janela do carro e disse-lhe isto mesmo."

                           in Shutter Island de Dennis Lehane

No ano passado, Shutter Island foi um dos meus filmes de eleição. Básicamente, mostra-nos como é fácil "passarmo-nos". Enlouquecer perante factos/acontecimentos marcantes. De como toda a sustentação de uma vida inteira, nada vale, quando algo devastador nos acontece. É um filme sem fim! Deixa-nos margem para o "nosso" fim. A ver, obrigatóriamente!
Agora li o livro. Normalmente são melhores os livros. Gostei mais do filme! A passagem acima revela o que Teddy (aliás Andrew, aliás Edward) sentiu ao conhecer Dolores que se tornará sua mulher. De facto, voltou da guerra. Os deuses não lhe tiraram a outra metade da sua alma. Ele próprio se encarregou de o fazer!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

domingo, 15 de maio de 2011

Ah, quanta vez, na hora suave

Ah, quanta vez, na hora suave
Em que me esqueço,
Vejo passar um voo de ave
E me entristeço!


Porque é ligeiro, leve, certo
No ar de amavio?
Porque vai sob o céu aberto
Sem um desvio?


Porque ter asas simboliza
A liberdade
Que a vida nega e a alma precisa?
Sei que me invade


Um horror de me ter que cobre
Como uma cheia
Meu coração, e entorna sobre
Minha alma alheia


Um desejo, não de ser ave,
Mas de poder
Ter não sei quê do voo suave
Dentro em meu ser.

    
             Fernando Pessoa

sábado, 14 de maio de 2011

Segredo I

"Arquipélagos de cinza
Vistos ao luar,
Na escuridão do meu quarto
Onde não há luar algum.
Arquipélagos de cinza
Que eu irei abordar
Na escuridão do meu quarto,
Quando vier o sono
Devagar..."

              Cristovam Pavia

Que idade têm ?

Os Nossos mortos não têm idade! Vertem-se em lágrimas que entram pelos poros da derme e se fundem nos ossos. Ficam connosco para sempre. Omnipresentes.

domingo, 24 de abril de 2011

Religião

Hoje é dia de Páscoa.

O Fogo de Santelmo, era considerado pelos marinheiros como um sinal divino. Foi-lhe dado esse nome por Santo Elmo se tratar do padroeiro dos marinheiros. Trata-se de uma descarga eléctrica que aparecia no topo dos mastros dos navios que pareciam arder. Para além disto, estas descargas descontrolavam as bússolas dos navios desorientando-os. Desde a Antiguidade que este fenómeno se observa.
Hoje, sabemos científicamente do que se trata. É um fenómeno meteorológico que ocorre geralmente em ocasiões de forte trovoada e que se caracteriza por pequenas descargas elétricas (projeções e irradiações luminosas de cor azul-violeta) nas pontas metálicas dos mastros dos navios, em torres metálicas ou nas partes salientes dos aviões, devido à concentração do campo eléctrico atmosférico nas zonas referidas.

As 10 Pragas do Egipto, foram impostas pelo Senhor, para obrigar o Faraó a libertar o povo de Israel.
1- águas em sangue
2- rãs
3- piolhos
4- moscas
5- doenças
6- sarna
7- saraiva
8- gafanhotos
9- trevas
10- morte dos primogénitos
Não existe comprovação científica da existência de todas estas pragas. Vários estudos mostram a possibilidade da relação sequencial entre algumas delas, relacionadas com alterações climáticas, desastres ecológicos, como por exemplo a erupção do vulcão Santorini.

Os dois exemplos acima mostram como a inexistência de explicações é fácilmente atribuída a uma entidade suprema. Assim, é fácil perceber como, nas sociedades religiosas mais fanáticas, o condicionamento da educação dada, é fundamental para a continuidade desse mesmo fanatismo. Em sociedades mais abertas e/ou laicas, existe a possibilidade de pensamento livre, passando a fé a ser algo completamente transcendental. É nestas sociedades que, na minha opinião, há verdadeiramente Homens de fé. Pessoas que, independentemente do conhecimento científico que, hoje quase tudo explica ou explicará no futuro, acreditam numa entidade suprema que pode regular, condicionar, orientar a nossa conduta, a nossa vida. Ninguém nasce com fé. Ganha-se ou não.

A religião, na nossa sociedade, deveria ser um espelho deste conhecimento científico, mudando de "discurso", tornando-o mais actual, mais transcendental. Apelando a algo verdadeiramente inexplicável que preencha os nossos vazios. Ganhar-se-iam mais fiéis concerteza. Se é que importa o número de fiéis.
O que vejo, quando assisto a uma missa, não é no entanto o que desejo. Os discursos moralistas, desadequados, imperam de sobremaneira. O que vejo nos noticiários, mostra como, há luz da informação que nos é dada, todas as religiões se comportam "mal", continuando, como desde há milénios, a procurar impôr as suas crenças acima das demais.
E assim, a religião continua a ser dominante. Mesmo estando de pernas para o ar, difusa.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Ele há dores assim
egoístas, só nossas
colam-se a nós,
sofrimentos
dores obrigatórias.

domingo, 20 de março de 2011

Primavera

Representa sempre o início de um novo ciclo. O início de novas vidas. Onde tudo floresce, renasce.


sexta-feira, 18 de março de 2011

Começo a conhecer-me. Não existo. 
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,  
ou metade desse intervalo, porque também há vida ... 
Sou isso, enfim ...  
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor. 
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.  
É um universo barato.

              Álvaro de Campos

domingo, 13 de março de 2011

Privilégios políticos

A eurodeputada britânica, independente , Nikki Sinclaire decidiu controlar o ponto dos colegas às sexta-feiras. Concluiu que os colegas não merecem o subsídio de € 304 para deslocações e que, como tal, o mesmo não se justifica. E não merecem porque:
  1.  pouco fazem;
  2. entram no plenário bem cedo mas, muito pouco tempo depois, já estão a sair.
Dos 160 políticos espiados, 50 foram "apanhados" a pôr-se "ao fresco"!
Um destes deputados foi Ilda Figueiredo do PCP. Entrou às 8:20 horas e saiu às 10:04 horas.
Claro que, os deputados portugueses, sem excepção (Capoulas Santos do PS e Diogo Feio do CDS inclusivé) estão a favor deste subsídio, alegando que o trabalho dos deputados não é feito só no Parlamento Europeu. Trabalham até tarde...em casa. Pois é. Temos que deixar de chamar subsídio de deslocação para chamar-lhe subsidío de trabalho !
É a pouca vergonha habitual de quem não percebe o que se passa à sua volta. E depois estranham que as populações estejam cada vez mais distantes dos políticos.

É que, na maior parte das vezes, até nem são os valores por si só que ultrajam a população. É o exemplo que falta nas classes políticas dirigentes. Não se pode continuar a exigir esforços à população sem se ver a classe política a dar o exemplo.
Veja-se o que se está a passar nos países árabes. Será que podemos antever revoluções na europa ?

sábado, 12 de março de 2011

Geração à rasca II

A comunicação social noticiou hoje que, uma das medidas deste novo programa de austeridade apresentado pelo governo, obriga a um aumento no pagamento do IRS pelos pensionistas.

É evidente que "a" geração à rasca está à rasca !
E a geração dos 70, 80 anos de idade? Que não têm onde ficar; não têm assistência médica, alimentos.
E a geração dos 50, 60 anos de idade? Que perderam os empregos e já são velhos para trabalhar.
E a geração dos 30, 40 anos de idade? Que se "meteram" a comprar casa e não têm como a pagar.

Na verdade, a geração à rasca é toda a população que cada vez vive pior.
Experimentem trocar as letras da música dos Deolinda. Verão como fácilmente conseguem lá encaixar todas as gerações.

Geração à rasca I


Esta primeira imagem, é bem o reflexo daquilo que eu (e muitas outras pessoas, claro) pensava que ia acontecer.
É inevitável que os partidos políticos se imiscuam na sociedade civil. E é pena !
Temos em Portugal um défice enorme de participação cívica. Em todos os domínios. Ficamos sempre à espera que alguém resolva os problemas por nós. Se manifeste por nós. Faça algo por nós. Lamentamo-nos permanentemente sem que consigamos as forças, coragem e informação necessárias para uma atitude cívica mais forte e interventiva.
Mais grave ainda, associamos o associativismo a corporativismos, compadrios, sindicalismos e outros ismos de outros tempos (e como custa a passar o tempo!) sem nos apercebermos que, na realidade, não serão os políticos a tomar conta de nós. Deveríamos ser nós, sociedade civil, a tomar conta dos políticos !

Desloquei-me ao centro de Braga para testemunhar por mim próprio o que acima escrevi. Ainda levei no bolso uma folha A4, com uma palavra/frase chave, tal como era pedido pela organização.
Pelas 15 horas, não havia muita gente reunida. Braga é uma cidade pequena e, como tal, não deveria aparecer muita gente. As vergonhas do costume de ser visto, comentado!

Uns quantos jornalistas e os primeiros cartazes.




Até aqui, ainda a "coisa" estava calma. Mas, para ausência de surpresa, lá aparecem as "bandeiras" vermelhas! Mas porque raio de carga de àgua (que não caiu) é que têm de aparecer estas alimárias partidárias a estragar os movimentos legítimos da sociedade civil ?
Como é evidente, muitas pessoas, tal como eu, afastam-se. Não pela côr das bandeiras. Independentemente dela, qualquer cidadão, mesmo que filiado seja em que partido fôr, tem o direito a fazer-se representar de forma apartidária. E neste movimentos deveriam fazê-lo como tal.


 Repare-se como, de forma absolutamente impensada, o local escolhido, tem como pano de fundo, alguns dos "pontos" de ataque dos slogans gritados pelos jovens das faixas vermelhas.
"Para os ricos há milhões, para os pobres só tostões" - levem lá com Francfort como cidade rica !



 "Nacionalize-se a GALP" - levem lá com um prédio a pubilicitar combustíveis !


 "Tirem o nosso futuro do buraco do BPN" - e ponham-no na Caixa Geral de Depósitos !


Enfim, como se esperava, apenas um "punhado" de pessoas, um movimento gorado e, uma vez mais, os        partidos a aproveitarem-se pérfidamente das organizações de outros para fazer valer os seus pontos de vista que, neste caso, nada têm a ver com o espírito da ideia original.                                                                    
As televisões gostam, mostram, faz-se uma rodinha para a foto e...vamos ver como é mostrado nos                noticiários. Eu vi, estive lá. E não gostei !