"Naquela noite, no passeio em frente do Cocoanut Grove, inclinado para a janela do táxi, a cara a centímetros de distância da de Dolores...
Olhara para ela e pensara:
Conheço-te. Conheci-te toda a minha vida. Tenho estado à tua espera. À espera que aparecesses. À espera todos estes anos.
Conheci-te no útero.
Era apenas isso.
Não sentiu aquele desespero de soldado de fazer amor com ela antes de embarcar porque soube, naquele instante, que havia de voltar da guerra. Havia de voltar porque os deuses não alinhavam as estrelas de modo que alguém encontrasse a outra metade da sua alma para depois lha tirarem.
Inclinou-se para a janela do carro e disse-lhe isto mesmo."
in Shutter Island de Dennis Lehane
No ano passado, Shutter Island foi um dos meus filmes de eleição. Básicamente, mostra-nos como é fácil "passarmo-nos". Enlouquecer perante factos/acontecimentos marcantes. De como toda a sustentação de uma vida inteira, nada vale, quando algo devastador nos acontece. É um filme sem fim! Deixa-nos margem para o "nosso" fim. A ver, obrigatóriamente!
Agora li o livro. Normalmente são melhores os livros. Gostei mais do filme! A passagem acima revela o que Teddy (aliás Andrew, aliás Edward) sentiu ao conhecer Dolores que se tornará sua mulher. De facto, voltou da guerra. Os deuses não lhe tiraram a outra metade da sua alma. Ele próprio se encarregou de o fazer!
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