domingo, 12 de junho de 2011

Lixo

Agora que estamos a iniciar o estio e, como habitualmente, as praias se enchem de gente, convém relembrar a importância da sua manutenção e limpeza. De facto, há uma evolução enorme na limpeza das praias nos últimos anos. O civismo vai melhorando, felizmente. No entanto, esta consciencialização serve o planeta no seu todo e não apenas alguns países.
H.A.Schult tem, desde 2008, o projecto "Save the Beach". Com o lixo recolhido em apenas uma praia por ano, faz um hotel que instala numa cidade. Roma em 2009, com lixo recolhido na praia de Capocotta; Madrid em 2010, com lixo recolhido na Bahía de Portmán em Murcia.
Para este ano, ainda não foi escolhida a praia mas podemos fazer sugestões e votar nas praias candidatas.

http://www.coronasavethebeach.org/en/el-hotel/
http://www.haschult.de/trash.html

Títulos

Conheço Susanna Tamaro dos contos infantis.
Um livro com uma capa horrorosa e um título de "Vai aonde te leva o coração" não seria concerteza uma escolha de leitura minha. Felizmente, uma recomendação de leitura, fez com que o lesse.
Uma mulher de 80 anos, escreve quase diáriamente, entre 16 de Novembro e 22 de Dezembro de 1992, a uma neta ausente há dois meses que com ela tinha crescido. No entanto, mais do que escrever à neta, escreve para si própria. Revela segredos de uma vida inteira. Daqueles que, presentindo-se o final da vida, têm que ser revelados. Como se de uma confissão se tratasse, por forma a permitir uma morte mais leve, sem remorso. Nesta "hora", não há já forças para zangas. Velhos e novos dispondo-se a aceitar tais revelações pela urgência da morte.  
"...os mortos pesam menos pela ausência do que por aquilo que - entre eles e nós - não foi dito."

Aos 80 anos, se a senilidade não tomou conta de nós, imagino eu que o peso de um ou mais segredos carregados desde sempre, se torne insustentável e, à mínima oportunidade, o atiremos corpo fora como se fosse um espirro. E, tal como contado neste livro, sejamos surpreendidos por saber que, afinal, o segredo que era segredo, não era só nosso. Quem nos acompanhou, connosco viveu, verdadeiramente nos conheceu, sempre o soube. Tal como nós próprios, carregou o peso do segredo sem nada revelar.
"«As mãos da Ilaria», disse com o olhar baço, «mãos daquelas ninguém mais tem na família», depois, voltou para a cama e morreu. ... Durante dezassete anos, sem nunca ter deixado transparecer fosse o que fosse, guardara aquele segredo dentro dele."

Conseguimos perceber quão errático foi o nosso caminho, construído de erros para atingir um fim, em si mesmo desconhecido.
"Aos quarenta anos, compreendi de onde devia partir. Compreender onde devia chegar foi um processo demorado, cheio de obstáculos, mas apaixonante."

Descobrimos que, o acaso, o destino, um segundo adiantado ou atrasado, fez a diferença. 
"Sabes qual é um erro que cometemos sempre ? Acreditar que a vida é imutável, que, mal escolhemos um carril, temos de o seguir até ao fim. Contudo, o destino tem muito mais imaginação do que nós.Precisamente quando se pensa que se está num beco sem saída, quando se atinge o cúmulo do desespero,  com a velocidade de uma rajada de vento tudo muda, tudo se transtorna, e de um momento para o outro damos por nós a viver uma nova vida."

Susanna Tamaro nasceu em 1957 e, portanto, está longe desta "sabedoria". O facto de ter sido, também ela, criada pela avó, ter-lhe-á dado o mote para o livro e os ensinamentos descritos.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Gente fina é outra coisa!

Que frase é esta ? E se a casa não fôr "boa" quem convida já não tem um bom programa e quem é convidado já não aceita o convite ? Baboseiras para gente "fina" !

domingo, 5 de junho de 2011

pina


O filme "pina" é um filme para Pina Bausch. É, sem dúvida, uma dedicatória imensa e sentida, quer por parte do realizador Wim Wenders, quer pelos protagonistas do filme/documentário. No trailer pergunta-se se isto é dança, é teatro ou apenas...vida. De facto, ao mesmo tempo que se utiliza o documentário, se filma a dança, se faz teatro e, sendo uma dança/filme/teatro arrebatador no aspecto visual, quando é dança, preferia que o fosse, quando é teatro, idem. O que senti, foi uma aparente falta de ligação entre os meios. E, claro, a falta de compreensão da dança enquanto expressão artística, não me permite ter a "leitura" correcta. É verdade que, pelos depoimentos das(os) bailarinas(os), nem eles próprios "compreendiam". Mas sabemos que a interpretação livre que um leigo faz das coreografias, não ajudam, nem fazem justiça a Pina Bausch.
Tem música; tem imagens muito sensuais, imagens de força, de fragilidade. Como Pina Bausch disse a uma das bailarinas, "Faz da tua fragilidade a tua força!"

E se, como há pouco tempo ouvi alguém dizer, o mal dos portugueses é dançar pouco...
Um filme que não se esqueçe.

Ver para crer

Mario Draghi, italiano de 63 anos, será o sucessor de Jean-Claude Trichet à frente do Banco Central Europeu, a partir de 31 de Outubro.
Para tal, sairá do Banco de Itália, onde ganhou em 2010, 757 mil euros.
No BCE vai receber 368 mil euros/ano. Como é ? Prescinde de 389 mil euros anuais?!
Das duas uma: ou a Itália está na falência e Draghi sabe; ou aos 389 mil euros declarados, juntar-se-ão as noites loucas de hotel, as festas, os jactos, as jantaradas, as meninas, meninos ou ambos, etc., etc., etc..

Ou eu sou doido e o homem é o tal ! O da conduta exemplar. O da causa pública.
Fixemos este nome, coloquemos um lembrete na agenda para voltar a falar a 31 de Outubro de 2012, quando fizer um ano de presidência. Se me lembrar eu ou alguém (se o houver) que leia este post.

(in)justiça II

Nunca acompanhei o caso do cronista Carlos Castro assassinado em Nova Iorque. Mas ontem, ouvi no noticiário que, o advogado do rapazito, quer alegar deficiência mental, no momento do acto !!!!!
Foi o chip que avariou! Que chato, logo naquele momento, o chip tinha que avariar !
Desconheço por completo o sistema judiciário portugûes e, muito menos o norte-americano mas, como é permitido alegar uma deficiência mental num determinado momento ? Todos os actos passariam a cair nesta desculpa de mau pagador.
"Levaste nas trombas? - Oh pá deixa lá. O gajo que te deu estava deficiente naquele momento".
"Mandaste o teu chefe à merda? - diz-lhe que a deficiência foi muitíssimo momentânea".
"Foste apanhado com outra gaja? - diz à tua mulher que estavas avariado".

Mas o advogado foi ainda mais longe. O rapazito, não tinha consciência das consequências do acto que cometeu!
Já estou a imaginar o Seabra a falar para o juíz: "Sr. Dr. Juíz, eu via lá em casa a usarem o saca-rolhas e nunca ouvi a rolha a queixar-se. Nem fazia ideia que saía sangue daquelas bolinhas por baixo do pilau. Como foi com o saca-rolhas, até pensei que era vinho. Eu é que não gosto se não, tinha bebido. E foi uma sorte não lhe ter arrancado um olho porque estive a ver uns desenhos animados muito giros em que um urso ficou sem um olho e, depois, colou-o e ficou a ver outra vez."

Que se tente alegar que estava sobre o efeito de estupefacientes, que estava alcoolizado ou ambos, posso perceber, na tentativa de diminuir a pena. É esse o trabalho do advogado. Agora, deficiência no momento do acto !


(in)justiça I

Um homem, de forma violentíssima, socou, pontapeou, esbofeteou a mulher.
Foi, óbviamente, acusado de violência doméstica e julgado como tal. Mil euros de multa a favor da APAV foi o veredicto !!!!!
Eu posso compreender que os estabelecimentos prisionais estejam sobrelotados e que a APAV precise de apoios financeiros mas, convenhamos, um homem que tem este comportamento, não pode NUNCA, ser condenado apenas a uns "míseros" mil euros de multa. Não é a prisão efectiva, nem a multa que retiram a dor da vítima. Desconheço se a mesma permaneçe ou não em comunhão de lar com o energúmeno em causa.
Nunca estive preso, nem conheço ninguém que tenha passado por essa experiência. Mas é concerteza muito marcante e persuasiva para a repetição de condutas impróprias. Não sou apologista da justiça pelas próprias mãos. Nem do "olho por olho, dente por dente". Mas, na minha opinião, uma temporada na prisão, com uns bons sopapos para levar para casa, eram uma terapia muito mais adequada. Manter-se-iam os mil euros para a APAV que, infelizmente, cada vez mais precisa de apoios financeiros. 

Decoro

O presidente da comissão europeia, Durão Barroso, gastou, dos nossos bolsos, 28000 euros em quatro noites no hotel New York Peninsula!
Confesso não perceber o que tem um quarto, para custar 7000/noite a dormida. Uma cama, provávelmente; um wc que deve ter sanita, lavatório e banheira. Ah! e bidé! Sim, agora está a deixar de usar-se mas este hotel deve ter!

Como é possível que estes exageros permaneçam, cometidos por pessoas que deviam ser exemplares, ter condutas exemplares ? Que alguns afortunados se permitam estas e outras extravagâncias com as suas próprias fortunas, é um assunto da esfera privada de cada um. Agora com dinheiros publicos, parte deles obtidos de pessoas que pouco mais que o salário mínimo ganham, é um ultraje! E como é possível que todos os deputados eleitos, dos vários quadrantes políticos, dos vários países membros, permitam que tal suceda ?
Só é possível porque todos usufruem, em maior ou menor valor, da possibilidade de gastar o dinheiro dos outros. Oito milhões de euros foram gastos em jactos, hotéis e festas! Por isso a classe política me enoja. É um termo forte, sim! Mas, na verdade, não vejo exemplos de civismo, decoro ou bom senso na generalidade dos membros desta classe. Não há condutas exemplares! Não há almoços grátis!
Em dia de eleições, é pena não ver uma saída para este marasmo em que a europa se encontra.

Simplex

No dia 3/6, ou seja, na passada sexta-feira, recebi um sms comunicando que havia uma nova mensagem no portal  ViaCTT.
Fui ver e trata-se de uma mensagem da Direcção Geral de Contribuição e Impostos. É o documento comprovativo do reembolso do IRS.
Impecável, pensar-se-à! sms, email, tudo electrónico. Simplex à maneira !
Pois! A questão está no timing. É que já há mais de um mês que o reembolso foi efectuado e o mesmo documento recepcionado por via postal terrestre!

Curioso de facto. Mas mais curioso ainda, é não haver ninguém que saiba ver que há um erro gramatical grosseiro. Pelo menos, não é o mesmo que Ao menos!
Ou será que estou a interpretar mal ?
Afinal, olha que sorte! Ainda bem que, ao menos, há uma assinatura com problemas! É um alívio saber!
Quer dizer o quê ? Talvez que, em caso de agravamento da crise, nos possam pedir um reembolso ao estado, alegando que sabíamos que havia problemas com as assinaturas ?




quinta-feira, 2 de junho de 2011

(boa) Publicidade ?!

Não sei o que se passa com as campanhas publicitárias das instituições bancárias mas, no momento, são várias aquelas que entendo perfeitamente ridículas. É a minha opinião, óbviamente!

Numa delas (a mais antiga), canta-se "I need a zero" ! Quem é que quer ser zero, ter um zero, seja ele à esquerda ou à direita ? É verdade que a pretensão é a referência ás taxas mas, convenhamos, cantar de forma veemente que se quer um zero...Parece estar a pedir para ter um zero a seu lado. É até uma ofensa à música original em que a cantora pede um herói. De herói a zero, vai uma diferença absimal!

Noutra campanha, diz-se algo como " quem é que me vai querer com uma conta sem dinheiro ?" Mas que apelo ao materialismo é este ? Que valores ? Então os pobres não têm direito à vida ? É preciso ser-se rico para se encontrar alguém que nos queira ? Contrasta no entanto com a campanha acima mencionada. Se um quer um zero, este quer milionários.

Numa outra ainda, uma criança faz perguntas ao pai que, não sabendo as respostas lhe responde "pergunta ao Panda!". Depois de várias tiradas destas, a criança, retorquindo, diz "mas os Pandas não falam!". Então pergunta ao Montepio, responde o pai ! E o Montepio fala ? Conta poupança BUÉ !!!

O primeiro exemplo, apela á nulidade, o segundo à extrema falta de sensibilidade e o último á imbecilidade!
É a minha opinião, repito ! Não percebo nada de marketing mas sou um consumidor como outro qualquer e, sinceramente, não vejo onde estas campanhas possam angariar clientes. Por acaso até sou cliente de uma destas instituições e a vontade que dá, é a de deixar do o ser.

Será que a empresa de marketing é a mesma para as três instituições ?