Há já algum tempo que me tem chamado a atenção o tipo de pessoas que encontro nas limpezas de wc's públicos. Durante vários anos, por esses wc's fora (centros comerciais, parques de campismo, etc.) era frequente encontrarem-se mulheres de comunidades emigrantes a efectuarem este serviço. Não imagino que seja uma profissão bem remunerada e, compreensivelmente, poucos(as) serão os que a querem fazer. A necessidade financeira falará certamente mais alto, na ausência de alternativas. No entanto, seja porque a emigração diminuiu (quem quer vir trabalhar para Portugal?) seja porque o aumento do desemprego é galopante, a tipologia destas pessoas mudou. É muitíssimo frequente verem-se mulheres na casa dos 50, 60 anos de idade!
Pode dar-se o caso de, sendo mulheres que se imagina de classes sociais desfavorecidas, com vidas pessoais mais "difíceis", estejam um pouco desgastadas, aparentando uma idade superior à real. Mas que têm idade para "não estar ali", isso é um facto. O que choca é imaginar a degradação profissional a que estas mulheres se têm que sujeitar. Todas as profissões são dignas. Mas ninguém, mesmo aos 50 anos, presumivelmente sem grandes expectativas, há-de sentir orgulho profissional, ao ter que limpar wc's públicos. Lançadas para o desemprego e esgotando-se o tempo com direito ao subsídio, há que agarrar o que aparece. Em muitos dos casos, trabalharão a recibos verdes e/ou de forma precária, com entidades profissionais que, sabendo da sua condição, não hesitarão em utilizar todos os mecanismos legalmente disponíveis para o limbo da precariedade.
A partir dos 35 anos de idade a dificuldade em arranjar emprego aumenta muitíssimo. Aos 45 é-se já um velho. Temos o azar de engrossar as filas de desemprego e, cumulativamente, não temos formação superior, é certo que vamos necessáriamente arrastar-nos de emprego em emprego com remenurações muito abaixo do que era habitual. Não só os níveis salariais hoje em dia são mais baixos como, somos já velhos e, portanto, devemos até estar gratos pela proposta que nos está a ser feita. É pegar ou largar! Se pegamos, já conhecemos as condições; se largamos, perdemos o subsídio de desemprego.
E quais são as propostas existentes no mercado de trabalho para mulheres a partir dos 50 anos de idade ?
É triste observar as expressões destas mulheres que são "obrigadas" a terminar a sua vida profissional desta forma.
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