sábado, 13 de agosto de 2011

privacidade

Recentemente, os jornais (entre outros media) começaram a publicar as declarações de rendimentos dos políticos. Sendo pública, é "normal" o interesse que tais declarações suscitam. Esta semana li, acerca de Paula Teixeira da Cruz, actual ministra da Justiça. Há muitos anos que os políticos me desiludem, não existindo neste momento, para mim, nenhuma referência. Crescemos a ouvir as constantes suspeitas de corrupção, conluios, falta de honestidade por parte da classe o que, não será até justo para todos. Acontece que, se porventura alguém "aparece", tem forçosamente que conviver com a classe que o rodeia, com as ditas "bases", com os favores prometidos/devidos e, inevitávelmente, lá se vai o "bom tempo".
Sempre entendi ser fundamental a credibilização da classe política. No entanto, esta credibilização faz-se, na minha opinião, com actos dos mesmos. Com a ausência de suspeições que sob eles caiam. Leva tempo, sim. Mas é no dia-a-dia das suas acções que a credibilização vai surgir. Que a população vai perceber quem é quem. Teve um passado criminoso ? Claro, deve ser (ou devia ter sido) punido pela justiça. A falta de justiça é um factor determinante de contribuição para a descredibilização. Mas se a mesma funcionar, fôr celere e JUSTA, políticos ou não, todos são julgados pelos seus actos.

Esta questão das declarações, da sua publicidade, não contribui grandemente para a credibilização dos políticos. Se fulano ou sicrano declara 100.000 euros de prestação de serviços, onde é que isso nos leva ? Foram mesmo prestados ?
O que acontece é que a publicidade das declarações de rendimentos só leva a "curiosidades". Pouco me importa a mim, como cidadão, saber que Paula Teixeira da Cruz tem x euros em seguros, y euros acções, contas à ordem nos bancos A, B e C, nos montantes de, blah, blah, blah. Considero até uma devassa da vida particular de cada um. Cada qual aplica as suas poupanças da forma que entende. Não é o que faz com elas que é importante mas sim se essas poupanças são ou não lícitas. E isso, a declaração de rendimentos não diz!

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