sábado, 26 de fevereiro de 2011

Ensino diferenciado

Aparentemente, a quantidade de escolas a recomeçar com o ensino diferenciado entre rapazes e raparigas, tem aumentado por todo o mundo. 500 escolas nos Estados Unidos, 400 na Grã-Bretanha, a Alemanha dá os primeiros passos na avaliação da eficácia deste modelo e, na Austrália, estudos concluíram que as notas dos alunos do ensino diferenciado são entre 15% a 22% superiores aos do ensino misto.
Ao todo, são mais de 40 milhões de alunos em todo o mundo, a estudar em escolas com métodos distintos para rapazes e raparigas. Em Portugal, há apenas os colégios Fomento, em parceria com o Opus Dei.

Segundo Jorge Maciel, presidente dos colégios Fomento, a escola mista não tem qualquer justificação pedagógica. Rapazes e raparigas têm ritmos de crescimento diferentes e aprendem de forma diferente. A escola mista, defende ainda Jorge Maciel, surge após a II guerra mundial, como exigência de movimentos feministas exigindo mesmos direitos, espaços e, como necessidade económica de rentabilização de espaços/meios. Não foi nunca sujeito a avaliação pedagógica da sua eficácia.

Não sei se nos outros países referidos, as escolas estão ou não associadas a movimentos religiosos. O artigo do jornal i, onde li acerca deste tema, não o refere.

Desconhecia o aumento deste tipo de ensino. Nunca reflecti acerca deste tema. O que me parece, assim, sem grandes reflexões, é estarmos perante um retrocesso da nossa sociedade. Os resultados escolares, per si, podem até ser melhores. É fácil imaginar as "marronas" a terem muito melhor aproveitamento sem  a rapaziada a fazer barulho nas aulas. Ou os "vadiolas" mais atentos, ao não terem as raparigas por perto, com quem se distrair.
Mas não vejo como se pode retroceder ao ponto em que rapazes e raparigas crescem separados, voltando aos encontros de domingo na missa !
Considero fundamental o crescimento dos jovens em harmonia de sexos. Reconheçendo/aprendendo sensibilidades distintas. Formas de estar distintas. Aprendendo a diferença. Apoiando-se no sexo oposto para o seu próprio processo de aprendizagem social. Criando laços afectivos, tendo namorados(as). Aprendendo/vivendo a sua sexualidade.
A vida não se resume a resultados escolares. As raparigas são melhores. É um facto ! No mundo muçulmano, há cada vez mais raparigas ecolarizadas e, no entanto, poucas arranjam empregos. A sociedade não lhos "dá". Queremos voltar a ensinamentos do início do século XX ? Vão as raparigas aprender "coisas" de rapariga e os rapazes "coisas" de rapaz ? É inevitável imaginá-lo. Não se pensa neste ensino diferenciado apenas pelas matérias didáticas. Se assim fosse, poder-se-iam criar turmas mistas de alunos, em que as competências/resultados escolares fossem idênticos. Super-turmas como aliás acontece em alguns países.

Refira-se ainda que, em média, um(a) aluno(a) destes colégios em Portugal, paga cerca de 400 a 500 euros mensais!
Não é para todos, claro.
Não tenho ilusões. Estes alunos serão mesmo bons. Profissionalmente, serão os poderosos de amanhã. Pelas competências académicas e...pelas influências do poder. Se as suas aptidões sociais serão ao mesmo nível das académicas, só um estudo pedagógico a efectuar daqui a 50 anos o dirá.

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