terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Sopa de letras

Ele há dias assim.
Acordamos cheios de energia positiva.
Ao tomar o café da manhã, cremos não haver nada que nos derrube. Temos forças para enfrentar qualquer obstáculo. "Eu estou bem, tú estás bem" é um dos estado possíveis em análise transacional. E assim nos sentimos. Porém, ao primeiro encontro, já o nosso Bom Dia é entendido como Mau Dia pelo interlocutor. Esqueçemo-nos fácilmente da sensibilidade dos outros; absorvidos pela nossa. Pensamos não nos termos expressado bem e retorquimos. Pior ainda !
Calamo-nos por instantes, pensativos, a perguntar porque são os ás entendidos como bês; os cês como ésses. Mais tarde tentamos de novo mas...não resulta. Mas as forças, essas continuam e então seguimos em frente. Lá para o meio da tarde, depois de mil e um obstáculos e, inevitávelmente, já de forças diminuídas, ainda acreditamos no dia. Mas somos só nós. Então sentimo-nos como numa sopa de letras. Uma colher gigantesca colhe-nos num emaranhado delas. Todas confusas, avulsas, sem sentido. Tentamos escrever mas faltam letras; outras que sobram. Qualquer esforço se torna infrutífero e damos por nós, já sem forças, a aceitar qualquer letra na construção de frases soltas. Ou, de preferência, sermos colhidos por uma colher sem qualquer letra. Pelo silêncio.
Mas, de forma já inesperada, pode surgir uma criança, um iluminado, alguém versado em construções gramaticais que, no final da sopa, quase na última colher, encontra as letras necessárias para construir a palavra.
Temos forças de novo e...ganhamos o dia.

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