segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Adriano

Há tempos atrás, os sacos do lixo depoistados na rua para recolha, começaram a aparecer todos rasgados. Não percebia, uma vez que não me recordo de ver cães abandonados nas ruas aqui próximas. Mais tarde, numa noite em que me deslocava a esse local, deparei com um homem a procurar comida nos sacos. Era ele o autor da façanha. Revoltou-me até às entranhas. Não há nada como ver! Tantas campanhas de solidariedade, tantos donativos, tantas Cruz Vermelha, Banco Alimentar, AMI e, aqui, ao pé de nós, a nosso lado, mora a miséria.

Mais tarde, começou a pedir na porta da padaria/pastelaria. Passa lá os dias ou, pelo menos, grande parte deles.Tenho por hábito dar-lhe de comer ou dar-lhe umas moedas que lhe permitam comer. Sempre o faz. Entra e compra pão. Podia gastá-lo em doses para alimentar o vício. Sei que é toxicodependente. Já o vi consumir. Fá-lo-á com as moedas de outros. Ou por vezes com as minhas. É educado.

Já quis saber a sua história. Não tive coragem. É-nos mais fácil doar para longe. Onde não vemos. Damos uns trocos e aliviamos as consciências.

Na época natalícia passada, dei-lhe uma quantia maior e...perguntei-lhe o nome.  Adriano.
Cumprimentamo-nos diáriamente.

Sempre admirei quem parte em missão de solidariedade, seja ela para um qualquer país recôndito em África, seja cá dentro. O altruísmo de quem dá tudo de si, pelos outros. Admiro missionários, enfermermeiros, médicos que, de forma voluntária, verdadeiramente ajudam quem precisa. Admiro os voluntários, quase sempre séniores, que ajudam nos hospitais.

Um dia vou ter coragem para saber a história do Adriano.

Vejam e, principalmente ouçam Frei Ventura a propósito da solidariedade.

http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/Edicao+da+Noite/2011/1/frei-fernando-ventura-foi-o-coordenador-convidado-da-edicao-da-noite-08-01-2011-03815.htm

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